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R       As restrições, só por si, não podem ser catalogadas em
       E       “boas” ou “más”. Se são ignoradas, tornam-se “más”; se
       V       são identificadas, administradas e eliminadas (alisamento
        I
        S      das restrições), são benéficas.
       T
       A       Este caminho, que é um caminho crítico, conduz à acei-
               tação de que todo o sistema tem pelo menos uma restri-
       D       ção, pois caso contrário seria aceitar gerar lucros infinitos
       E
               E, mais adiante, Goldratt – ante algumas reticências do
       C
       O       joalheiro – sustentou que, ao contrário dos seus “ovos”,
       N       não se trata de criar um problema artificial parecendo
       T       querer justificar a existência de todos os desvios compu-
       A       tados. É a constatação de um facto natural que quase  Fig. 1 - A síntese de um raciocínio
       B       sempre é desprezado. Solenemente rematou a conversa:
        I
       L                                                         Ao usar este processo, que é um processo de raciocínio
        I                                                        crítico, é possível centrar esforços nos pontos do sistema
       D                                                         que determinam o desempenho (restrições), pois o que
       A       O fim último da empresa é atingir o lucro. Por outro
       D       lado, não se trata de atingir qualquer lucro, mas sim  importa é este e não as suas partes.
       E
               o maior.                                          Fabergé, arguto e inteligente percebeu que a Teoria das
       E                                                         Restrições assenta, fundamentalmente, em ferramentas
                                                                 lógicas que pretendem resolver problemas. Trata-se de
        F      Explicou, em seguida que sempre que é vencida uma res-  uma forma de gerir a informação em que esta tem de ser
        I      trição,  tal  como  quem  sobe  uma  escada,  pode  surgir  adequada às questões que são postas (pelo que se torna
       N       outra e assim sucessivamente.                     importante saber formular as perguntas) e parte de dois
       A                                                         pressupostos:
       N
       Ç       São identificados dois tipos de restrições:
       A
        S                                                            1. A meta da empresa é o lucro. O objectivo é ganhar
                                                                       dinheiro, agora ou no futuro.
                   a) Restrições físicas, as que estão associadas aos
       N.º           fornecimentos de materiais, à capacidade produ-
       107                                                           2. A empresa é um grande conjunto de pequenas par-
                     tiva, à logística e ao mercado, e são as de mais
                                                                       tes que têm de estar ligadas entre si (conceito de
                     fácil detecção;
                                                                             3
                                                                       cadeia) .
                   b) Restrições políticas (não físicas), que estão liga-
                     das a aspectos de estrutura e comportamentais.
                                                                 Ao estabelecer um programa de alisamento de tudo o que
                                                                 é impeditivo de alcançar um objectivo, geram-se natural-
    22         Por isso Goldratt (1994), preconiza que o comportamento  mente conflitos entre decisões de curto prazo e decisões
                                                                 de médio e longo prazo que, logicamente, seguem vias
               do gestor face às restrições obedeça a quatro passos fun-  diferentes, implicando saber formular as questões ade-
               damentais:                                        quadas.

                                                                 Há necessidade de possuir o conhecimento pleno da ins-
                   1º - Identificar as restrições do sistema;    tituição para saber formular as questões e poder identifi-
                                                                 car a restrição. Por outro lado, a meta (o fim da empresa)
                   2º - Decidir como explorar as restrições do sistema;  deve ser um dado do problema.
       O
        u          3º - Subordinar o resto à decisão anterior;   Quando Goldratt (1994) enfatiza que a meta de uma em-
        t                                                        presa são os resultados (o lucro), esquece-se de referir
        u                                                        que essa meta só existe porque existe mercado. É que
        b          4º - Elevar as restrições.
        r                                                        “…no plano microeconómico o termo competitividade
        o                                                        significa a capacidade da empresa entrar em concorrên-
                                                                 cia e ganhar partes do mercado“ (Guimarães, 1999) e,
        /
                                                                 por isso, o fim último de qualquer empresa é o lucro (mis-
               E deixa um aviso: se em qualquer das etapas anteriores
       D                                                         são).
        e      se mudou uma restrição, deve-se voltar ao primeiro passo
        z      evitando a inércia que é, também ela, uma restrição. A
        e                                                        Fabergé, sempre atento às explicações do Mestre aper-
       m       maioria das empresas não tem restrições físicas, mas  cebeu-se que o desafio inicial é dar um primeiro passo
        b      restrições de ordem estrutural e, por isso, a inércia é uma  seguro, lembrando o cuidado que pôs na satisfação das
        r
        o      restrição que surge com maior frequência.         encomendas do Czar  visto que, com a concorrência ins-
                                                                 talada num mercado cada vez mais agreste, a questão
        2      Fabergé não quis ouvir mais nada e a partir desta pri-  pertinente é saber como acelerar um processo de opti-
        0
        1      meira abordagem recorreu à imagem de um primeiro ovo.  mização contínua, embora se considere e aceite que, in-
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