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        Gestão  da  informação  e  produtividade,             seu funcionamento.
        nas  instituições  de  ensino  superior                 pois, se para os credores vai permitir que avaliem a capacidade da entida-
                                                                      Esta informação reveste-se de uma característica muito peculiar,
        vistas  como  instituições  sem  fins                 de poder gerar fluxos de tesouraria, para assegurar os compromissos assu-

        lucrativos.                                           midos,  para  os  investidores  ou  para  quem  paga  os  serviços  prestados,
                                                              informa sobre a eficácia da gestão e para o utilizador primário, da possibili-
                                                              dade de atingir os fins.
                                                                      Para se estimular a obtenção de melhores resultados no sentido
                                                              do  alcance  da  meta  da  instituição,  todos  os  intervenientes  devem  estar
                                                              interessados num processo de melhoria contínua, privilegiando a produtivi-
          Raul A. Guimarães                                   dade; pelo que lhes compete reduzir consumos, aumentar ritmos de presta-
          Doutor em Gestão                                    ção de serviço, sugerir formas diferentes de estrutura, para que num ambi-
          Docente da Universidade Fernando Pessoa             ente de "pseudo centros de resultados" seja medido o impacto das deci-
                                                              sões.
                                                                      Para estudar a produtividade de uma instituição sem fins lucrati-
                                                              vos, a tarefa básica é planificar a estratégia adequada para cada fator de
                                                              produção. Para Drucker (1997), o primeiro fator é sempre humano, porque
         Nota introdutória: Neste artigo, ainda dentro do paradigma da contabilidade   se trata de colocar as pessoas em posições onde possam produzir de facto;
         de custos, começa-se por apreciar a gestão da informação e a produtivida-  o segundo fator é o dinheiro: como gerimos o que temos?; o terceiro, é o
         de,  nas  instituições  de  ensino  superior  vistas  como  instituições  sem  fins   tempo. Há necessidade de fixar metas ambiciosas, o que pressupõe um
         lucrativos, e o planeamento estratégico, sua estruturação e importância sob   estado de melhoramento contínuo, implicando saber pôr de lado o que já
         vários aspetos.                                      não serve e fixar objetivos inovadores.
         Existem limitações que levam à necessidade de mudança de paradigma. O      Esta situação conduz, necessariamente, a um método que per-
         confronto de paradigmas surge quando se começa a falar nos mundos do   mite utilizar os melhores processos, as ideias inovadoras e os procedimen-
         custo e do ganho. Este pode ser um ponto de partida para uma discussão   tos de operação mais eficazes, de forma a atingir um melhor desempenho,
         importante nos dias de hoje.
                                                              quando adaptados e implementados na própria instituição.
                                                                      Nas Universidades, entendidas como instituições sem fins lucra-
         É  fundamental  proporcionar  aos  órgãos  de  gestão  a  correta  informação   tivos, pode considerar-se o processo de busca da melhoria (contínua) como
         sobre a performance  passada e presente da instituição. Esta informação   um processo interno e competitivo. Este processo ocorre quando a busca
         deve passar por um processo de gestão de informação, para ser obtida de   das melhores práticas é realizada no seio da própria instituição, comparan-
         forma integrada, oportuna e relevante para a tomada de decisões, a qual-  do comportamentos e situações semelhantes que ocorrem dentro da sua
         quer nível.                                          estrutura.
                Em qualquer instituição, compete aos órgãos de gestão determi-   Este processo, que pode ser identificado com uma das fases de um pro-
         nar as missões e objetivos, adequados e realistas, conducentes à obtenção   cesso competitivo, implica que a instituição interesse todos os intervenien-
         dos  resultados  esperados,  sejam  estes  a  curto,  médio  ou  longo  prazo.   tes na obtenção de dados, o que parece ser fácil e de baixo custo.
         Compete-lhes ainda planificar, estratégica e operacionalmente, os meios e
         recursos necessários para atingir os fins determinados nas melhores condi-     O processo competitivo obriga a que, não só todos os compo-
         ções  possíveis  e  obter  o  controlo  que  permita  efetuar  os  ajustamentos,   nentes da estrutura entrem também num processo de melhoria contínua,
         materialmente relevantes, entre os programas estabelecidos e os desempe-  como permite a confrontação e o estudo dos concorrentes externos à insti-
         nhos conseguidos.                                    tuição, evitando que a visão se limite, unicamente, aos seus concorrentes
                                                              diretos, porque podem existir instituições não concorrentes que tenham um
                Segundo  Martins  (2001),  as  novas  exigências  no  domínio  da   processo mais desenvolvido.
         Gestão têm levado à adoção de novos processos, estilos e filosofias, com
         os quais se procura um desempenho eficaz num mundo competitivo que      Não será incorreto considerar que se está perante um processo
         rodeia as instituições, públicas ou privadas.        de benchmarking, similar ao definido por Camp (1989), como sendo a “(…)
                                                              busca das melhores práticas e métodos nas atividades que conduzem a um
                Entendida a Contabilidade como fonte de informação, há uma   desempenho superior”.
         exigência  cada  vez  mais  notória  no  sentido  de  fornecer  uma  informação
         relevante,  estabelecendo  a  ligação  à  estratégia  da  instituição;  de  propor      Há necessidade de compreender as oportunidades da procura
         outros horizontes temporais no apuramento dos custos; de criar modelos   dos indícios, tanto internos como externos, da ocorrência de situações mais
         que concorram para uma atitude crítica e atuante, contribuindo para a for-  favoráveis. Se é verdade que as instituições sem fins lucrativos não costu-
         mação da opinião conducente à decisão. E ter ainda em conta medidas   mam ter falta de ideias, o que algumas vezes lhes falta é a vontade e a
         físicas, bem como outras informações até aqui "estranhas" à contabilidade   capacidade  de  as  converter  em  resultados  concretos.  Uma  organização
         que, no contexto atual, são decisivas para o bom desempenho da gestão.   com sucesso tem de estar organizada para inovar.
                Por  outro  lado,  o  sistema  de  informação,  assumido  como  um      A principal regra de uma estratégia inovadora é a concentração
         sistema de gestão de informação de uma instituição, deve estabelecer os   de  todos  os  esforços  nos  triunfos  conseguidos,  quando  se  atingiu  uma
         mecanismos de controlo necessários para prestar a informação relevante a   performance elevada, altura em que deve ser rotina questionar se a institui-
         todos aqueles que fornecem os recursos ou beneficiam dos seus serviços,   ção não poderia, mesmo assim, funcionar melhor.
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