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Refira-se que poderão ser apresentados outros tipos de modelos de apuramen- O fato de se prenderem essencialmente com a decisão de subcontrata-
to dos preços de transferência. Contudo apresentaremos apenas os que a ção, o que leva a crer que a política de transferência deva ser julgada
literatura referencia como os mais exequíveis. De seguida expomos os reflexos em relação aos objetivos estabelecidos;
e impactos dos vários modelos de fixação dos preços nos centros de responsa-
bilidade, assim como no resultado global da organização. Considerarem a organização um sistema racional que procura maximi-
zar o seu lucro global imediato;
II.II.I. Com base nos custos Não preverem a descentralização e autonomia dos centros de respon-
sabilidade;
A determinação do preço de transferência com base nos custos deve atender a
diversos aspetos nomeadamente se a produção é realizada internamente ou Não considerarem a estratégia como uma variável essencial da aleatori-
externamente. Para esta decisão é importante ter presente que existem duas edade dos sistemas.
noções básicas:
Para Garrison, R.; et al. (2003) os preços de transferência baseados nos custos
Curto prazo – atendendo que a entidade tenha capacidade imediata nunca evidenciarão o tipo de transferência interna. Apenas mostram o acumular
para produzir: o custo adicional é um custo variável; de custos em cada divisão e o contributo para o preço de venda ao exterior.
Longo prazo – se a entidade não tem capacidade imediata para produ- Segundo Franco; V. et al. (2007, pp. 245)
zir e tem que fazer um investimento adicional: neste caso, uma percen- “Conceptualmente, se se pretende apurar um resultado em cada divisão, os
tagem deste investimento deve ser adicionado ao custo final. preços devem incluir sempre uma componente de custo e uma componente de
margem que se destina a retribuir o capital investido em cada “divisão””.
Como tal a decisão deve consistir nos seguintes parâmetros de análise:
Assim, pode concluir-se que os modelos baseados nos custos têm vantagem e
Se o preço da transferência se basear apenas no custo variável, é desvantagem que serão alvo de aprofundamento nos capítulos seguintes.
preferível não subcontratar, desde que esta opção implique uma mar-
gem sobre o custo variável;
No caso de a aferição do preço de transferência ser calculada adicio- II.II.I.I. Custo total realizado (full cost)
nando ao custo variável a quota-parte do investimento necessário para O custo total é um modelo simples de apuramento dos preços de transferência
efetuar a produção, esta opção irá gerar um gasto superior, uma vez onde os bens e serviços são transferidos pelo custo total do centro. Segundo
que ao custo variável ser-lhe-á adicionada uma parte dos custos fixos Jordan, H.; Neves, J.; Rodrigues, J. (1999, pp. 305):
unitários. “Este modelo muito “apadrinhado” pelos sistemas de contabilidade analítica,
Segundo Coelho, M. (2000, pp. 118) para a entidade saber qual o custo da pressupõe a determinação do preço em função dos custos efetivamente supor-
transferência interna, deve considerar: tados para produzir o produto ou o serviço.”.
“…supondo que esta operação apenas envolve os custos contabilísticos clássi-
cos, é necessário admitir que essa transferência não implica qualquer renúncia Este modelo é o menos eficiente e como tal o que se ganha em simplicidade
a uma outra solução ou alternativa, o que pressupõe que: perde-se em eficiência. Como refere Faria, A. (1996), avaliar o desempenho
1. Se disponha de capacidade excedentária (não sendo necessário inves- tendo por base o modelo de fixação do preço de transferência baseado no custo
tir para fornecer o cliente interno) e que esse excesso de capacidade total é insatisfatório, pois este não reflete o potencial de lucros por absorver nos
não possa ter outras utilizações possíveis rendíveis, isto é, não sendo custos dos produtos que foram transacionados.
objeto de utilização no fluxo interno da empresa, essa capacidade não
será aproveitada noutra alternativa, (supondo que os custos de disponi-
bilidade da capacidade são ignorados); II.II.I.II. Custo variável
2. O fornecimento não necessite de ser revendido se o cliente interno não A aferição do custo variável é elaborada por um sistema de contabilidade analí-
o adquirir, o que obrigaria à renúncia de uma receita; tica e a ineficiência do centro vendedor pode ser passada ou diferida para o
centro comprador. Logo não é um bom mecanismo de avaliação dos responsá-
3. O fornecedor interno não tenha hipótese de vender, com resultado veis nem motiva a utilização de serviços ou compra de produtos internos.
positivo, a um cliente externo (ou porque não existem clientes interessa-
dos no fornecimento interno ou porque a capacidade utilizada neste Neste método de preços de transferência:
fornecimento não tem outras utilizações permitindo produzir bens e
serviços para os quais existiria clientela externa); se a venda externa for Os custos fixos não são transferidos, permanecendo na origem;
possível, o fornecimento interno implica uma perda no volume de negó- Existe transferência de ineficiência de uns centros para os outros, não
cios (deduzido dos custos que uma venda ao exterior acarreta).”.
permitindo obter o resultado das atividades.
A autora acrescenta ainda que estas condições raramente se verificam: Assim não é possível efetuar uma avaliação correta dos centros uma vez que os
“…por isso, o fornecimento interno enfrenta um custo de oportunidade, o que custos fixos são suportados pelos centros que não tem possibilidade de os
significa que aquele fornecimento obriga a empresa a renunciar a uma receita. rentabilizar.
Esta receita é então o “verdadeiro” custo marginal da prestação interna, e deve- Desta forma, só o centro que vende para o exterior consegue apresentar um
rá ser suportada (preço a pagar) pelo comprador interno.”. resultado positivo e acumula em si toda a margem de lucro que na realidade
estaria distribuída por todos os centros.
Neste cenário fica evidente a dificuldade de implementar um modelo de preços A fixação dos preços de transferência por este método poderá ser contraprodu-
de transferência baseado no custo. Logo, num mercado perfeito, o preço de cente uma vez que insere no mecanismo as ineficiências dos centros. O modelo
transferência poderia ser fixado pelo preço de mercado deduzido dos custos não incentiva a inovação nem motiva os gestores a melhorarem o processo
que não são suportados pelo centro, ou seja, no caso de a venda se efetuar produtivo podendo, no limite, ter um efeito contrário e os gestores serem tenta-
para o exterior, os gastos que a mesma implicaria. O centro, ao vender interna- dos a transformar custos fixos em custos variáveis com o intuito de inflaciona-
mente, tem um custo de oportunidade que não incorreria se vendesse no exteri- rem o valor das vendas e serem por esta via melhor avaliados.
or, como tal, esse deve ser colmatado por uma receita líquida. Poderá ser utilizado em pequenas subunidades de produção, que produzam
Os modelos com base nos custos podem ser muito limitativos em termos de pequenos componentes, que tenham uma estrutura de custos fixos reduzida e
gestão tendo como principais debilidades: onde o processo produtivo seja de tal forma simples que a sua melhoria ultra-

