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        incompletos ou porque os "Directores" não podem efecti-   O Gerencialismo como "boa" prática da Administra-
        vamente monitorar o comportamento de seus subordina-  ção Pública promove a proposição de que " o bom go-
        dos, que não têm interesses idênticos e possuem infor-  verno e a boa organização resultam de intenções delibe-
        mações que não são acessíveis aos superiores. Sob a   radas,  planos  detalhados  e  decisões  consistentes"
        influência dessa ideologia, as agências públicas são con-  (Prasser,  1990).  A  tarefa  político-administrativa  do  go-
        ceituadas  como  formas  amorfas,  instrumentais,  racio-  verno é conceituada pelos gerencialistas como respon-
        nais-legais de organização hierárquica administradas por   dendo às reivindicações feitas pelos seus vários grupos,
        funcionários racionalmente interessados, (Tullock, 1965).   usando  um  modelo  racional-abrangente  de  formulação
        Esses funcionários, semelhantes aos burocratas tradicio-  de políticas envolvendo estratégias despolitizadas e ori-
        nais,  são  maximizadores  de  utilidade,  motivados  pelo   entadas  para  um  objectivo.  Considerado  instrumental-
        desejo de maximizar suas próprias funções de utilidade   racional (meios-fins) e rotineiramente implementado por
        que são claramente egoístas (abraçando o poder, a ren-  agências públicas obedientes, descentralizadas e ainda
        da, as regalias, a reputação pública, o prestígio, o patro-  hierarquicamente controladas e responsáveis. As agên-
        cínio, a facilidade de mudança, a facilidade de gestão, a   cias públicas são vistas sistematicamente como meca-
        conveniência e a segurança), embora não exclusivamen-  nismos de solução de problemas e de entrega de pro-
        te (permitindo a lealdade organizacional, o compromisso   gramas,  conceituados  como  unidades  de  produção
        com a missão, o orgulho profissional e servindo o inte-  (sistemas abertos) dentro dos quais os recursos mensu-
        resse  público  e  a  produção  da  agência),  (Niskanen,   ráveis são usados num processo com impacto. Elas ge-
        1971).                                                ram,  assim,  resultados  mensuráveis  relacionados  com
                                                              objectivos  que  medem  os  "objectivos  organizacionais"
            Uhr, J. (1990) define o Gerencialismo como "a busca   dados  e  conhecidos  que  são  compatíveis  com  os
        de sistemas de gestão governamental orientados a resul-  "objectivos de políticas governamentais”.
        tados através de processos racionalizados de tomada de
        decisão destinados a permitir maior autonomia, mas tam-   Autores defendem que a gestão dos serviços públi-
        bém maior responsabilidade pelo gestor de campo ou do   co separa-se, na medida do possível, das estruturas e
        programa". O Gerencialismo corresponde à transposição   dos processos  políticos, deixada  aos  burocratas  e aos
        de modos de actuação do sector privado para o público,   construtores de impérios.
        como sejam:
                                                                  Numa fase posterior designada de pós-Nova Gestão
          •  dar ênfase à gestão e à implementação de políticas;   Pública, o principal objectivo das reformas foi deslocar
          •  salientar  a  eficiência,  a  eficácia  e  a  qualidade,  em   gradualmente as organizações do sector público, da de-
           relação à equidade, na gestão dos recursos públicos   sintegração  ou  fragmentação  gerada  pela  NGP,  para
           (envolvendo a definição de objectivos, desempenho e   uma  situação  de  maior integração  e  coordenação.  Por
           avaliação  comparativa;  definição  de  desempenho;   outras  palavras,  a  própria  fragmentação  no  âmbito  da
           medição de desempenho; Feedback de desempenho      NGP aumentou a pressão para uma maior integração e
           e incentivos ao aprimoramento do desempenho);      coordenação horizontal (Christensen e Laegreid, 2007).
          •  defender o uso de práticas de gestão do sector priva-
           do no sector público;                                  A reforma da Gestão Pública incluí fazer poupanças
          •  procurar difundir a responsabilidade e delegar a auto-  nos Gastos Públicos, aumentar a qualidade dos Servi-
           ridade,  com  o  estabelecimento  das  respectivas  res-  ços Públicos, fazer operações de Governo e aumentar o
           ponsabilidades de gestão e estruturas de responsabi-  leque  de  escolhas  mais  eficientemente  (Pollitt,  C.  e
           lização pública;                                   Bouckaert, G., 2004). As alterações nas estruturas e nos
          •  deslocar o foco da responsabilização pública, de con-  processos das organizações do Sector Público, podem
           sumos e processos para resultados;                 passar por redesenhar ou pela introdução de novos pro-
          •  preferir criar,  sempre  que possível, uma  Administra-  cessos, tendo em vista melhores resultados.
           ção  Pública  competitiva  especialmente  para  os  ór-
           gãos públicos responsáveis pela prestação de servi-    Uma  forma  de  controlar  a  implementação  destes
           ços governamentais (Halachmi e Holzer, 1993).      objectivos é recorrer à burocracia, à accountability, à legisla-
                                                              ção, e outras restrições que inibem a actividade dos cidadãos.
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