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            Acredita-se  que  o BSC pode  ser considerado  uma   dade estrategicamente relevantes no contexto das qua-
         ferramenta apropriada para o gerenciamento da susten-  tro perspectivas tradicionais do BSC, estes serão ligados
         tabilidade corporativa (Bieker & Waxenberger, 2002). De   e adaptados conforme a estrutura de causa e efeito pré-
         acordo com Kaplan e Norton (1993) diferentes situações   estabelecida,  de  forma  a  convergir  hierarquicamente
         de mercado, estratégias de produtos e ambientes com-  para a perspectiva financeira possibilitando que a estra-
         petitivos exigem diferentes scorecards. As unidades de   tégica  do  negócio  seja  bem-sucedida.  Porém  é  impor-
         negócios criam scorecards personalizados para se ade-  tante que esses aspectos tenham características econô-
         quarem  à  sua  missão,  estratégia,  tecnologia  e  cultura.   micas (Figge et al., 2002). Segundo Moller e Schaltegger
         Além disso, Schaltegger e Burritt (2010) afirmam que os   (2005) essa abordagem possibilita a inserção de todas
         sistemas  convencionais  de  contabilidade  corporativa   as questões de sustentabilidade que sejam diretamente
         precisam ser revisados para que sejam capazes de tra-  significativas para o mercado, seja o mercado financeiro,
         balhar com questões ambientais e sociais e respectivos   de  clientes,  de  fornecedores  ou  mercado  de  trabalho.
         efeitos financeiros. O SBSC tem a sua origem no BSC   Nesse  sentido,  o  estudo  de  Hansen  e  Schaltegger
         tradicional,  porém  o  seu  horizonte  extende-se  ao  inte-  (2016)  identifica  uma  arquitetura  estritamente  hierár-
         grar as três dimensões da sustentabilidade, apresentan-  quica em que todos os objetivos estratégicos devem ser
         do  um  contéudo  e  uma  arquitetura  diferente  (Bieker,   organizados para trabalhar, direta ou indiretamente, para
         2005). Para Kalender e Vayvay (2016) a sustentabilida-  a obtenção de resultados financeiros apresentando um
         de é o quinto pilar do BSC. Dessa forma, para que um   perfil mais instrumental em que os gestores buscam a
         SBSC seja implementado, é necessário e essencial que   maximização dos lucros e competitividade.
         uma empresa defina e faça a implantação de estratégias
         ambientais, sociais e econômicas para uma sustentabili-  O fato é que originalmente as questões ambientais e
         dade corporativa (Bieker & Waxenberger, 2002).       sociais  são  questões  não  econômicas  e  dessa  forma
                                                              representam externalidades. As empresas muitas vezes
            A abordagem das questões de sustentabilidade pelo   não atuam apenas no âmbito econômico-financeiro, inte-
         BSC procura viabilizar a contribuição das empresas para   ragindo  também  com  outros  campos,  como  o  social  e
         as questões de sustentabilidade, no intuito de levar as   jurídico (Figge et al., 2002). Assim, a integração dos as-
         organizações a melhorar a sua atuação e os seus efei-  pectos de sustentabilidade ausentes do sistema de mer-
         tos no âmbito social, ambiental e econômico, de forma   cado, mas estrategicamente relevantes no BSC seguirão
         integrativa (Figge et al., 2002).                    a segunda opção, no qual será criada uma quinta e nova
                                                              perspectiva (Figge et al., 2002).  Hansen e Schaltegger
            Há duas questões principais que norteiam as discus-  (2016) apresentam também uma arquitetura não hierár-
         sões  acadêmicas  a  respeito  da  arquitetura  do  SBSC,   quica em que todos os objetivos estratégicos e perspec-
         que é a decisão de inserir os objetivos de sustentabilida-  tivas  estão  interligados  em  rede,  tendo  ambos  direitos
         de em uma nova perspectiva de desempenho adicional   próprios, abordando diversos interesses das partes inte-
         ou inserir esses objetivos nas quatro perspectivas tradi-  ressadas.
         cionais existentes (Figge et al., 2002; Moller & Schalteg-
         ger, 2005). Assim, analisamos de seguida as possibilida-  Figge et al., (2002) dizem ainda que para a formula-
         des  de  integração  da  sustentabilidade  na  gestão  e  as   ção de um SBSC, recomenda-se um processo com três
         várias estruturas do SBSC.                           fases essenciais: escolha da unidade de negócios estra-
                                                              tégica, identificação da exposição ambiental e social da
            1.2.  A  construção  de  um  SBSC -  Possibilidades   unidade de negócios e determinação da relevância es-
                de Integração e Arquiteturas                  tratégica dos aspectos ambientais e sociais.

            As  questões  de  sustentabilidade  podem  ser  inseri-  2.  Metodologia
         das num BSC tanto pela integração de objetivos ambien-
         tais e sociais nas quatro perspectivas tradicionais exis-  2.1. Caraterização do Estudo
         tentes do BSC, quanto por meio da criação de uma nova
         perspectiva especifica para a gestão da sustentabilida-  Este  estudo  apresenta  uma  pesquisa  bibliográfica,
         de. A primeira opção considera aspectos de sustentabili-  qualitativa e descritiva (Rodrigues, 2006). Relativamente
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