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          Os 31 magníficos: os primeiros contabilistas formados em Portugal
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          Miguel Gonçalves

          ISCA de COIMBRA
          mgoncalves@iscac.pt





              Resumo. Apresenta-se, pela primeira vez na litera-  cante para o início do processo de regulamentação da
        tura, uma lista sistemática dos alunos diplomados no pri-  profissão de contabilista em Portugal. Esta academia de
        meiro curso da Aula do Comércio de Lisboa, a primeira   ensino ensinava obrigatoriamente contabilidade por par-
        escola pública de contabilidade a funcionar em Portugal e   tidas dobradas, por força do parágrafo 15 dos seus esta-
        na Europa. Fundada em Lisboa em 1759 pelo Marquês de   tutos. Foram 31 no total os alunos diplomados e os seus
        Pombal (1699-1782), esta instituição formou os primeiros   nomes  podem  aqui  ser  vistos,  bem  como  os  destinos
        contabilistas no ano de 1763 e contribuiu de forma mar-  profissionais de 23 deles.


                                    Relação dos 31 alunos do 1.º curso (1759-1763) da Aula do Comércio de Lisboa e identificação dos seus percursos profissionais.

          #         DIPLOMADOS       PERCURSO PROFISSIONAL

          1    António Anastácio Fernandes   Não identificado.
                                     Contadoria da Real Fábrica das Sedas, em 1763 (Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Real Fábrica das Sedas e Fábricas
                                     Anexas, Livro 403, fólio 32r). Este Guarda-Livros teve a singularidade, e a infelicidade, de falecer ainda em 1771 (Arquivo
                                     Nacional da Torre do Tombo, Real Fábrica das Sedas e Fábricas Anexas, Livro 403, fólio 32v), poucos meses depois de ter
                                     requerido a sua carta de curso (Março de 1771). Estava ainda, em 1771, em exercício na Real Fábrica das Sedas. Em 1769
              António Joaquim Firmo de Sou-
          2                          era António Joaquim Firmo de Sousa o Guarda-Livros principal da Real Fábrica das Sedas, com um ordenado anual de 720 mil
                        sa
                                     réis mais casa paga (ibidem), um valor que competia grosso modo com os vencimentos anuais dos lentes mais bem pagos da
                                     Universidade de Coimbra. Os estatutos da Aula do Comércio protegiam os aulistas, reservando saídas profissionais certas com
                                     destino à Real Fábrica das Sedas para os alunos formados (v. Alvará de 19 de Maio de 1759 – Estatutos da Aula do Comércio,
                                     parágrafo 16).
                                     Começou como escriturário do Erário Régio, em 1765 (Sousa Franco e Paixão, 1995, p. 57). Em 1790 trabalhava ainda no
                                     Erário (Sousa Franco e Paixão, 1995. p. 61). No final do século encontramo-lo em Angola, onde nos últimos anos da centúria
          3   António José Manzoni de Castro
                                     desempenhou as funções de contador-geral da Junta da Real Fazenda de Angola (e deputado da Junta, também) (Coimbra,
                                     1959, p. 180). Morreu em Luanda em 1801 (ibidem).
                                     Era, em 1792, um dos três Guarda-Livros da Junta do Comércio (Almanaque, 1792, p. 310). Acima, em termos hierárquicos,
                                     estava Pedro António Avenente, o contador-geral da Junta do Comércio (cabe aqui destacar que Ratton (1813, p. 266) comete
          4      António José Monteiro
                                     um lapsus calami ao apelidar de Avondano este contabilista italiano; o seu sobrenome era Avenente e ele era natural de Géno-
                                     va).
                                     Contadoria da Real Fábrica das Sedas, em 1770 (Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Real Fábrica das Sedas e Fábricas
          5    Domingos Gonçalves de Abreu
                                     Anexas, Livro 403, fólio 32v).
                                     “Actual escriturário do Erário Régio, em 1767”, a Carta Real de 30 de Abril desse ano nomeia-o Guarda-Livros da contadoria do
                                     Colégio Real dos Nobres, com um ordenado anual de 400 mil réis (consultar Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Colégio dos
          6          Felix Potier    Nobres, Livro 51, fólios 18r e 18v). Potier entrara em Agosto de 1763 no Erário Régio, onde desempenhou a função de escritu-
                                     rário da Contadoria Geral da Corte e Província da Estremadura (Sousa Franco e Paixão, 1995, p. 56) até 1767.
                                     Era natural do Rio de Janeiro, Brasil (Araújo, 1997, p. 317). Familiar do Santo Ofício, em 1790 (ibidem). Em 1771 foi nomeado
                                     administrador da Companhia Geral do Grão-Pará e Maranhão, na Praça de Cacheu (Arquivo Histórico Ultramarino, Conselho
          7      Filipe Damásio de Aguiar
                                     Ultramarino, Série 049 – Guiné, Caixa 9, documento 822), uma localidade pertencente hoje à Guiné-Bissau e, que, ao tempo,
                                     fazia parte do Império Colonial Português.
          8      Filipe Nery de Almeida   Não identificado.
                                     Entrou no Erário Régio, em 1767, como 2.º escriturário (Sousa Franco e Paixão, 1995, p. 60).
          9   Francisco Inácio da Silva Franco
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